(Almada Negreiros)
O desenvolvimento psicológico harmonioso nem sempre tem lugar. O processo de crescimento psíquico é um processo complexo que pode ser perturbado por um leque variado de factores. São eles de natureza constituicional, ambiental, relacional.
A criança no seu crescimento debate-se, por vezes, com perturbações sintomáticas diversas que percorrem as esferas alimentar, do sono, dos medos (por vezes incapacitantes), da comunicação, da linguagem, da aprendizagem e do comportamento.
Estas perturbações, revestindo coloridos muito diversos, são indicadores valiosos de um mundo interno em sofrimento.
Cabe à Psicologia Clínica o papel de procurar entender o que está subjacente a sintomatologias tão diversas.
Nesta perspectiva, o sintoma tem um valor de sinal, de "pista" que auxilia o psicólogo na compreensão da criança.
Para que se possa intervir terapêuticamente numa determinada situação há que começar por escutar, investigar e diagnosticar.
Para tal são utilizados instrumentos de observação e avaliação que vão da entrevista com os pais e com a criança, à observação do jogo infantil, ao desenho e à utilização de diferentes tipos de provas, escolhidas em função da problemática.
É da síntese desta Observação Psicológica que nasce a hipótese diagnóstica que é, posteriormente, apresentada à família.
Só a partir daí se elabora um plano terapêutico que pode ter diferentes orientações:
- Consulta terapêutica;
- Psicoterapia;
- Psicanálise da criança;
- Orientação para o exterior ou para outra abordagem terapêutica.
As diferentes propostas terapêuticas estão dependentes, fundamentalmente, da maior ou menor gravidade dos problemas diagnosticados, sendo sempre discutida a sua viabilidade com a família.
Ao longo de um processo psicoterapêutico de uma criança a família não fica excluída, havendo lugar a entrevistas periódicas com os pais ou responsáveis pela criança.
I.M.P.